Beber
Glifosato, chuva de veneno em comunidades rurais, sementes híbridas, biomas
inteiros substituídos pela monocultura e o império das transnacionais. O que
tudo isso tem em comum, em um cenário marcado pela fragilidade do limite entre
os interesses privados e a saúde de um país inteiro? Você deve estar se
perguntando agora o que é o Glifosato. Mesmo sem saber do que se trata,
provavelmente você já consumiu este produto em algum alimento produzido no
Brasil. O Glifosato é uma molécula sintetizada pela Monsanto e já foi empregada
em lavouras em grande parte do mundo. De acordo com a Organização Mundial da
Saúde (OMS), este produto é carcinogênico e causador de diversos outros males à
saúde. Na esteira destas informações, questionamos: O que podemos classificar
como alimento hoje, no Brasil, quando o modelo vigente de agronegócio é
historicamente minado pela insustentabilidade socioambiental? O uso massivo de
agrotóxicos na produção de alimentos deixa como rastro a contaminação
desenfreada da terra, dos vegetais, da água, do ar e de comunidades inteiras, revela
o dossiê feito pela Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), em
parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Publicado em 2012 e atualizado dois
anos depois, o documento tem a intenção de ser um alerta sobre o impacto dos
agrotóxicos na saúde pública, reunindo informações de livros e trabalhos
publicados em periódicos nacionais e estrangeiros. Em mais de 600 páginas, o
dossiê aponta uma realidade muito diferente da que alardeia o poder público
quanto às benesses do agronegócio.
Mutações
genéticas em recém-nascidos e as centenas de mortes pelas comunidades rurais do
Espírito Santo, como denunciado pelo jornal Século Diário no ano passado. As
chuvas de veneno da Aerotex sobre as crianças de Pontal do Buriti, em Rio Verde,
Goiânia. As contaminações do solo, da chuva e até do leite materno descobertas no
interior do Mato Grosso, em 2011, pela pesquisadora da Universidade Federal do
Mato Grosso (UFMT), Danielly Palma. Apesar da gravidade destes episódios,
nenhum deles é novidade ou, sequer, caso isolado. No estudo feito pela UFMT foram
coletadas amostras de leite de 62 voluntárias do município de Lucas do Rio
Verde, um dos campeões em produção de soja no Brasil. As coletas foram feitas
entre os anos de 2007 e 2010 e o resultado foi a contaminação de 100% das
amostras com pelo menos um princípio ativo. Nos casos mais graves as mulheres
chegaram a apresentar até 6 tipos diferentes de veneno no leite materno. Encontraram
DDE (derivado do DDT), Endosulfan, deltametrina, trifularina, todos com
potencial para causar malformação fetal e abortos conforme a OMS. O estudo
revelou também que o aumento da incidência de malformação por mil nascidos na
região subiu de 5 para 20. Longe de gerar constrangimento para o setor, isso se
tornou comum na prática do agronegócio, que prioriza o uso do solo para a
produção de commodities e consome mais de 1 bilhão de litros de agrotóxicos por
ano, segundo a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Conforme a
agência reguladora, atualmente 64% dos alimentos no Brasil estão contaminados
com agrotóxicos. Pimentão, morango e pepino ocupam o topo do ranking, com 91%,
64% e 57% de contaminação.
O que deveria
ser fonte de vitaminas, substâncias antioxidantes e nutrientes importantes para
o metabolismo humano, converte-se em vetor de princípios ativos causadores de
diversos males a saúde, denuncia o dossiê Abrasco. Entre os anos 2000 e 2012 o
aumento do uso de agrotóxicos no país foi de cerca de 288% (Sindicato Nacional
das Empresas de Aviação Agrícola - Sindag). Enquanto isso o faturamento das
indústria do setor aqui foi de cerca de 12 bilhões de dólares (Associação
Nacional de Defesa Vegetal- Andef). Já o montante de registros por intoxicação deste
tipo de produto acumulou 34.147 incidências. Isso somente entre os anos de 2007
e 2014, de acordo com o DataSUS, do Ministério da Saúde.
Fungicidas,
pesticidas, inseticidas e herbicidas, todos eles tem como principal finalidade
atacar a vida como um todo. Gerando uma reação em cadeia de efeitos nocivos,
estes biocidas vem provocando desequilíbrios ecológicos, alerta o dossiê. O
documento revela que os mitos de modernidade, progresso, emprego, segurança
alimentar e renda escondem uma realidade obscura que pretende ser negada e
afastada da opinião pública. Realidade que pode ser comprovada por números e
evidências científicas da relação entre uso de agrotóxicos e problemas de saúde.
Trazidos pelo dossiê, os estudos e estatísticas apontam que não é por falta de
confirmação dos efeitos nocivos às pessoas e ao meio-ambiente que o uso indiscriminado
de agrotóxicos no Brasil não é combatido. "O uso de agrotóxico no Brasil
alcança cifras muito grandes, a gente tá consumindo um bilhão de toneladas por
ano e a gente sabe que a estrutura de governo federal e estadual está muito
aquém de enfrentar esse volume de venenos do ponto de vista de monitoramento”,
explicou Luiz Cláudio Meireles, engenheiro agrônomo e pesquisador da Fiocruz do
Rio de Janeiro, em entrevista ao portal de notícias G1. Meireles destacou ao
portal que o Instituto do Câncer (INCA) se posicionou, no ano passado, para
estabelecer uma ligação entre o agrotóxico e a doença. “A dificuldade que nós
temos é determinar a ligação entre uma substância e um determinado tipo de
câncer, por exemplo. Mas, sabemos que quando comemos estamos ingerindo um
conjunto de agrotóxicos que vai repercutir na saúde durante anos". O
pesquisador participou da elaboração do Dossiê Abrasco e, segundo reportagem
veiculada no programa Globo Rural, da Rede Globo, em 2012, foi afastado de um
cargo de gerência da Anvisa, naquele ano, por denunciar irregularidades na
liberação de seis tipos de agrotóxicos.
Transnacionais e o monopólio do mercado brasileiro
BASF, Bayer,
Monsanto, Syngenta, Dow e Dupont dominam cerca de 70% do mercado mundial de
agrotóxicos. Aqui elas também dominam, abocanhando aproximadamente 75% da venda
de defensivos no país a cada safra. As gigantes do setor acabam comprando as
empresas menores ao longo do tempo, tanto de agrotóxicos, quanto de sementes,
formando assim monopólios e oligopólios. Estes são dados apresentados no 2º
Seminário Mercado de Agrotóxicos e Regulação, organizado pela Anvisa, em 2012.
Perpetuando
uma realidade desfavorável para toda uma nação, a venda casada de sementes transgênicas
com os pacotes agroquímicos está perfeitamente alinhada ao interesse privado destas
transnacionais, como denuncia o documentário de Silvio Tendler, O Veneno Está
na Mesa II, de 2014. Agora o lucro descomunal delas não apenas fortalece o
oligopólio anglo-europeu, mas também faz a sociedade questionar o que, de fato,
entendemos por desenvolvimento. Se o melhor alimento é aquele mais contaminado,
então que tipo de critérios regem as políticas de saúde pública no Brasil? O trabalho
realizado para a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida nos
refresca a memória ao recordar que a tecnologia empregada na “revolução verde”
é a mesma usada nas guerras que assolaram o mundo durante o século XX. Para
Vandana Shiva, física e ativista ambiental indiana, os produtos químicos que
inundam a alimentação mundial não podem gerar outros resultados senão doenças e
morte. "A indústria do agronegócio não produz comida e nem coopera com a
natureza. Na realidade ela opera uma guerra contra a natureza, transferindo para
a agricultura os venenos inventados para matar outros homens na guerra.
Pesticidas, herbicidas, agente laranja. Produtos químicos significam a morte de
pessoas, não é de espantar que elas continuem morrendo" (extraído de O
Veneno está na Mesa II). Segundo ela, é preciso lutar para proteger a
diversidade e a integridade das sementes nativas e lutar também pelos direitos
dos agricultores. A ativista defende a necessidade de resistir e desafiar os
monopólios de propriedade intelectual ilegítimos de empresas como a Monsanto,
que, para ela, faz engenharia genética somente para exigir patentes e
royalties
São permitidos
aproximadamente 434 ingredientes ativos de agrotóxicos no Brasil, conforme a Anvisa. Entre os 50 mais
utilizados, 22 são proibidos na Europa, na África e até na China, mas graças ao
lobby das transnacionais com os nossos políticos e artimanhas jurídicas, eles permanecem
sendo largamente empregados nas plantações do país, conforme dados da Campanha
Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida. Em 2008, a agência iniciou uma reavaliação do uso
de 14 substâncias utilizadas na fabricação de mais de 200 agrotóxicos que, segundo
o dossiê Abrasco, podem causar câncer, má formação fetal, problemas pulmonares
e distúrbios hormonais. Dessas 14 substâncias, até o momento somente cinco
foram proibidas (endossulfam, triclorfom, cihexatina, forato e metamidofós). Duas
delas foram mantidas no mercado, mas com restrições de uso (acefato e fosmete).
Carbamatos
e organofosforados X índice de suicídios em Venâncio Aires
Nos anos 90,
conforme matéria veiculada no Jornal Folha de São Paulo, em 2014, a
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou uma pesquisa
levantando a hipótese de haver relação entre os altos índices de suicídio e o
uso de agrotóxicos organofosforados (composto orgânico usado no controle de
pragas) nas lavouras de fumo. Segundo o periódico, em função de toda a polêmica
gerada com o assunto, um projeto de lei foi encaminhado ao Congresso Nacional
com a intenção de proibir este tipo de produto em 1997. Contudo, o PL 2691/97 acabou
sendo arquivado após a análise em plenário mesmo depois de ter sido aprovado
pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara (CCJ), o que
ocorreu somente em 2011. Curiosamente, antes da aprovação pela CCJ, o projeto
havia sido rejeitado pelas comissões de Defesa do Consumidor, Meio
Ambiente e Minorias; e de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural, conforme o site da Câmara dos Deputados.
O aparente
descaso do legislativo em transformar em lei a iniciativa abafou a discussão
com o passar do tempo, enquanto isso o uso dos agrotóxicos se alastrou pelo
país. Quanto a possível relação entre os suicídios de Venâncio Aires e o uso
ilegal de organofosforados, o chefe de escritório da Emater (Empresa de
Assistência Técnica e Extensão Rural), de Venâncio Aires, Vicente João Fin,
acredita que não haja conexão entre os fatos. “Não há estudos científicos que
estabeleçam esta ligação”, argumenta. Não é o que aponta o dossiê Abrasco
quando o assunto são os carbamatos e os organofosforados, mas opinião
semelhante é lugar comum entre representantes de outras entidades, como a
Associação dos Fumicultores do Brasil (AFUBRA). O gerente técnico da Afubra,
Paulo Vicente Ogliari, afirma que esta relação não pôde ser comprovada até
agora. “São mais de 600 municípios que produzem fumo no Brasil, se houvesse
alguma conexão deveria haver a incidência também em outros”. Na mesma linha de
raciocínio a assistente social do Serviço de Atendimento Psicossocial de
Venâncio Aires (CAPS), Rubia Bucallo, destaca que o Caps não leva em
consideração o uso de agrotóxicos no tratamento dos casos de depressão. “Não
fazemos a abordagem do problema desta forma. Acreditamos que os quadros de
depressão e suicídio estão mais relacionados com a rigidez da cultura alemã e
com o trabalho pesado da lavoura do que ao uso destas substâncias”.
Mas ao mesmo
tempo em que o Caps procura não levar em consideração a utilização destes
produtos por parte dos pacientes (mesmo com a hipótese de eles estarem ligados
ao problema), a cidade de Venâncio Aires permanece no primeiro lugar do ranking
de suicídios no Brasil. Entre 2006 e 2010 foram 79 casos. O trabalho duro e
estafante das lavouras de fumo, a rigidez da cultura e a pressão da indústria
quanto aos níveis de qualidade do produto, tornaram os casos de intoxicação
pelo uso de agrotóxicos históricos na região. Fumicultor desde a infância,
Adair Treissig, herdou dos pais o trabalho na lavoura no distrito de São
Martinho, interior de Santa Cruz do Sul. Ele conta que, mesmo observando os
cuidados na aplicação dos produtos, foi vitima de intoxicação há 17 anos.
“Fiquei internado por três dias”, relata o produtor, lembrando que sofreu com
os sintomas na época. Sem poder apostar em outra culturas, Treissig admite que
diversificaria a produção caso fosse possível. “Não temos o que fazer, o
trabalho é pesado, mas não temos outra opção”.
De outro lado,
Irineu Saath, de 48 anos, também foi criado na lida do fumo, em Rincão de Nossa
Senhora, no município de Passo do Sobrado. Mesmo trabalhando há tantos anos nas
lavouras, Saath conta que nunca teve qualquer problema com agrotóxicos. “Sempre
observei as orientações da fumageira e sempre usamos equipamentos de proteção
também. A rotina é dura, mas nós não temos outra alternativa”. Assim como
Treissig, Saath afirma que também mudaria de atividade se houvessem
alternativas lucrativas. “É assim mesmo, não temos muita escolha. Além do fumo
plantamos milho também, mas o principal é o fumo”, enfatiza o agricultor.
Uma das causas
desta realidade, para o chefe de escritório da Emater é que o chamado sistema integrado
faz com que o agricultor se torne refém do pagamento do ágio. “Há que se
questionar se há a lucratividade do produtor para que se mantenha a
propriedade, atenda suas necessidades e possa garantir a próxima safra. Ele se
obriga a contrair os insumos com a promessa de grãos futuros”. Fin afirma que
isso acaba afastando o produtor de outras empresas que poderiam ofertar
diferentes oportunidades. “Ele paga os insumos mais caros, pois só vai pagar lá
na frente, e fica refém dos produtos ofertados pelo sistema integrado, que nem
sempre são os mais adequados”.
Somando-se ao
quadro de ineficiência e uso equivocado dos defensivos, temos questões
delicadas relacionadas a Anvisa, como demonstra o documentário de Silvio
Tendler (O Veneno está na Mesa II). Segundo o estudo, a agência foi criada em
1999 e, mesmo tendo a função de entidade reguladora, a instituição acaba por
ter grandes dificuldades para exercer suas atribuições. O chefe de escritório
da Emater salienta que a Anvisa não apenas sofre pressão dos poderes executivo
e legislativo para a liberação de princípios ativos, mas também dificulta o
registro de produtos orgânicos ou de ação natural. “Quando você vai registrar
um produto de baixo impacto ambiental, você não tem oportunidade por que a
Anvisa segue uma legislação rígida. Por outro lado, quem tem capacidade para
bancar tudo isso são as grandes empresas. A facilidade para grupos econômicos
de grande pressão existe sim!” Fin destaca que, neste caso, a lei acaba se
transformando numa faca de dois gumes, pois dá vazão a escassez de produtos
alternativos para o uso nas lavouras. Com todos esses elementos no jogo, os
interesses do agronegócio se sobressaem facilmente aos da saúde pública para o representante
da Emater. “Não tenha dúvidas. A pressão do poder econômico, a falta de
conhecimento técnico, além do problema da aceitação de produtos proibidos
vindos de outros países, favorecem essa situação.”
Desde 2008 o
Brasil vem ocupando a primeira posição no ranking dos maiores consumidores de
agrotóxicos do mundo. Como prova disso a quantidade de veneno consumida pela população
brasileira tem aumentado ano após ano, alcançando atualmente a cifra de 7,2
litros anuais por cada brasileiro (ANVISA). Vicente João Fin, chefe de
escritório da Emater de Venâncio Aires, relata que este quadro se agrava pela
falta de orientação e conhecimento por parte dos agricultores. “Às vezes a
venda se dissocia da realidade. Às vezes o produtor esta ainda implantando a
lavoura quando adquire o produto. Fazendo o pacote antes da hora e sem o
conhecimento técnico ele acaba realizando aplicações inadequadas e acima da
quantidade necessária”. Segundo Fin, as políticas inadequadas dos órgãos
competentes, aliada a pressão econômica das transnacionais tornam o cenário
ainda mais problemático. “Muitos produtos que lá fora (exterior) já foram
proibidos, são trazidos pra cá. Se no país de origem esse produto tinha cinco
ou seis anos de eficiência, falando hipoteticamente, aqui já cai pra três, mas
mesmo assim é trazido para cá. Ou seja, é uma forma de desova e isso é um grande
agravante”.
Agravante
perigoso, quando o assunto é a saúde de milhões de pessoas. Conforme Susan
Arthus, gerente assistencial do Hospital São Sebastião Mártir, as secretarias de saúde e
agricultura trabalham orientando os produtores quanto ao uso adequado de EPI´s
(equipamentos de proteção individual). A gerente enfatiza que, mesmo assim, os
casos de intoxicação continuam a acontecer. “Elas trabalham no sentido de
orientar os agricultores no uso adequado de EPI´s, bem como as dosagens
adequadas para que não reverta a intoxicação ao consumidor. Contudo, até a data
de hoje, já contabilizamos 4 incidências de intoxicação no município.” De
maneira diversa a do CAPS, Arthus acredita que a prevenção também deve levar em
consideração outros fatores, além de instruções sobre dosagem e manuseio.
“Quando falamos do trabalhador é preciso ter atenção quanto a situação ou
condições cognitivas e psicológicas das pessoas que estão em contato com o
material.”
Mesmo tendo como pano de
fundo o sombrio império das transnacionais, nem tudo é veneno no mundo da
agricultura. Como um alento para quem pretende se beneficiar de uma alimentação
livre de contaminação, vemos a popularização da agroecologia em iniciativas
como as do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA). De acordo com
Augusto Weber, integrante do CAPA, respeitar o meio ambiente é um dos
princípios básicos desta forma de cultivar o solo. “O alimento agroecológico é
produzido sem agrotóxicos, adubos químicos, solúveis, sintéticos ou sementes
transgênicas. O Agricultor respeita o meio-ambiente, pois é preciso ter
conhecimento de todo o contexto para que tudo dê certo”. Para evitar pragas sem
o uso de materiais artificiais, Weber conta que a agroecologia trabalha todo o
meio no qual o alimento é produzido. “A diversidade nesse caso é fundamental.
Os agricultores utilizam a rotação de culturas e não investem em apenas uma.”
O CAPA Santa Cruz
do Sul desenvolve seu trabalho prioritariamente junto a grupos
de agricultores e agricultoras familiares, destacando a inclusão de gênero
e de diferentes gerações, conforme o site da organização. Weber comenta
que a entidade atua junto a grupos urbanos e indígenas, escolas e
universidades, com destaque para as escolas Família Agrícola e Colégio
Teutônia. Tudo visando a abertura de espaços especiais para inclusão da
juventude nas atividades do Centro. Segundo ele, rotação de cultura,
adubação verde e práticas de agrofloresta são alguns dos métodos da
agroecologia. “A gente sempre estimula que os agricultores utilizem ao máximo
os insumos naturais da propriedade, como esterco bovino, suíno e de aves, entre
outros. As alternativas existem!” E para quem acredita que a agroecologia não
pode produzir alimentos de qualidade em grande escala, o profissional garante
que é possível. “O que existe é a dificuldade de produzir os alimentos fora da
época a qual eles normalmente são próprios. Mas existe produção agroecológica
em grande escala sim, existem diversas propriedades fazendo isso atualmente.
Além de mais saudável, existe uma grande diferença no sabor”.
Weber orienta que,
para se ter certeza de estar comprando produtos realmente livres de veneno,
além da confiança no produtor, o consumidor pode procurar pelo selo da
Certificação Orgânica. Ele explica que as linhas de ação trabalhadas pelo CAPA são
várias. Na lista estão a agroecologia, organização cooperativa,
agroindústria familiar, comercialização, sociobiodiversidade,
meliponicultura, resgate e preservação de sementes crioulas, educação para
promoção da saúde (com enfoque nas plantas bioativas), alimentação
saudável e saúde comunitária. “Para que o atual modelo do agronegócio seja
substituído, mesmo que num futuro ainda distante, é preciso haver uma mudança
na mentalidade do agricultor. É preciso que mude a forma de pensar dos
produtores rurais, que eles não apenas queiram partir para a produção
agroecológica. Esta mudança é o primeiro para a substituição do atual modelo”,
conclui o profissional. Para mais informações acesse o site da entidade no
endereço eletrônico www.capa.org.br.












